domingo, 11 de fevereiro de 2007

Vidas

Uma coisa que me chateia bastante é pensar que, daqui a uns anos, posso vir a ser um desses homens com fartos e farfalhudos bigodes, barriga que nunca mais acaba e cuja grande emoção diária resida no novo episódio da telenovela da noite ou então no jogo de futebol lá da aldeia. E pensar que se calhar já tenho 4 filhos com nomes horríveis, sempre a escorrer baba de chocolate e caramelo porque faz calos tomar conta dos putos, e eles com chocolates e caramelos calam-se na mesma, e os dentes ainda são de leite, que se lixe. E passar horas nos hospitais por causa de cabeças rachadas e de pés torcidos. E limpar a casa 3 vezes ao dia, depois de vir cansadíssimo de um trabalho que me enoja mas do qual já nem me queixo, podia ser pior, porque os putos andam a correr de um lado para o outro e a espalhar caramelo e chocolate pelo chão, olha que isso pega-se à carpete que comprámos no outro dia no Continente, promoção leve duas e oferecemos-lhes uma hora de vida decente, com filhos daqueles de reclame, giríssimos e arrumadíssimos, em vez dessas pestes feiosas que gerou e educou, fruto do teu ventre, amén, com a benção do padre e da família, num copo d'água para 300 pessoas, pago em suaves prestações durante 20 anos. E a cusquice das vizinhas, e o T3 nos arredores e o sonho de uma vida cumprido no dia em que fui ao mercado e estava lá um político a fazer campanha e apareci na televisão a dar beijinhos na bochecha do candidato do PS (ou será que era do PP?) às presidenciais, oubiste Maria?, olha que o telemóbel 'tá a ficar sem carga, ódespois ligo-te de casa, sim? ...

World Press Photo 2006

Um passeio de descapotável pelos destroços de um bairro de Beirute, no Líbano, deu ao fotojornalista norte-americano da agência Getty Images, Spencer Platt, o primeiro prémio do World Press Photo 2006.
A foto, captada em Agosto passado, mostra cinco jovens libaneses ricos a passear de descapotável pelas ruínas de um bairro no Sul da capital.


sábado, 10 de fevereiro de 2007

Cartoon's







Curtas

Uma velhinha morre e ao chegar ao céu pergunta ao guardião dos portões:
- Porque é que existem 2 portas, uma azul e outra vermelha? Sao Pedro então responde:
- A azul leva ao Céu, a vermelha desce ao Inferno, pode escolher!
Nisto , ouve-se uma gritaria e o barulho de berbequim atrás da porta azul.
- Mas o que é isto? - Pergunta a velhinha.
- Nada, é uma alma que acabou de chegar e estão a furar-lhe as costas para pôr as asas.
A velhinha fica indecisa quando de repente ouve-se nova gritaria atrás da porta azul.
- E esta gritaria o que é?
- Nada, é que estão a furar a cabeça da alma para pôr a auréola.
- Que horror! Eu não quero ir para o Céu, vou para o Inferno!
- Mas lá o Diabo costuma violar e enrabar todas as mulheres!
- Quero lá saber...pelo menos os buracos já estao feitos....

Numa entrevista de emprego numa repartição pública, o chefe pergunta:
- O senhor já sofreu algum acidente grave?
- Sim. Quando servia o exército participei numa batalha simulada e um tiro atingiu-me os testículos. Tive que extraí-los.
- Santo Deus! - exclamou o entrevistador. Bem, o emprego é seu! Nós chegamos sempre às 8h, mas o senhor pode chegar às 10h.
- Mas por que vou eu ter esse privilégio?
- É que, o senhor sabe como é...repartição pública...o pessoal fica sempre a coçar os tomates duas horas antes de começar a trabalhar!

Diferença entre "Justo" e "Correcto"
Se encontram 2 advogados no estacionamento de um MOTEL e reparam que, um está com a mulher do outro...Logo após alguns instantes, um diz ao outro, em tom solene e respeitoso: "Caro colega, creio eu, que o correcto seria, que a minha mulher venha comigo, no meu carro, e a sua mulher, volte com Vossa Senhoria no seu automóvel". Responde o outro:
"Concordo, caro colega que isso seria o correcto mas não seria justo, levando em consideração que vocês estão saindo e nós estamos apenas chegando".

Aparências

Não passo muito tempo à frente do espelho.
E assim, por vezes ando com a barba maior, o cabelo meio despenteado e as patilhas por acertar.
Mas, à noite, durmo com a consciência tranquila.
Há quem se olhe muito ao espelho.
Por fora brilhe, distribua sorrisos e bom aspecto.
Mas, será que têm a consciência tranquila?
Será o espelho de vidro a reflectir a alma do ser humano, ou serão os passos a ilustrar os caminhos mais certos?


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Emplastro

Carminho & Sandra

Carminho senta-se nos bancos almofadados do BMW da mãe. Chove lá fora. Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe conduz o carro e aperta-lhe ternamente a mão. Há muito trânsito na Lapa ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de Espanha.
Sandra senta-se no banco côr-de-laranja do autocarro 22 que sai de Alcântara. Chove lá fora. Encosta o nariz ao vidro para disfarçar duas enormes lágrimas que lhe rolam pela face. A mãe está sentada ao lado dela. Encosta o guarda-chuva aos pés gelados e aperta-lhe ternamente a mão. Há muito trânsito em Alcântara ao fim da tarde. A mãe tem um olhar triste e vago mas aperta com força a mão da filha de 18 anos. Estão juntas. A caminho de casa de Uma Senhora.
O BMW e o autocarro 22 cruzam-se a subir a Avenida Infante Santo.
Carminho despe-se a tremer sem nunca conseguir estancar o choro. Veste uma bata verde. Deita-se numa marquesa. É atendida por uma médica que lhe entoa palavras doces ao ouvido, enquanto lhe afaga o cabelo. Carminho sente-se a adormecer depois de respirar mais fundo o cheiro que a máscara exala. Chora enquanto dorme.
Sandra não se despe e treme muito sem conseguir estancar o choro. Nervosa, brinca com as tranças que a mãe lhe fez de manhã na tentativa de lhe recuperar a infância. A Senhora chega. A mãe entrega um envelope à Senhora. A Senhora abre-o e resmunga qualquer coisa. É altura de beber um liquido verde de sabor muito ácido. O copo está sujo, pensa Sandra. Sente-se doente e sabe que vai adormecer. Chora enquanto dorme.
Carminho acorda do seu sono induzido. Tem a mãe e a médica ao seu lado. Não sente dores no corpo mas as lágrimas não param de lhe correr cara abaixo. Sai da clínica de rosto destapado. Sabe-lhe bem o ar fresco da manhã. É tempo de regressar a casa. Quando a placa da União Europeia surge na estrada a dizer PORTUGAL, Carminho chora convulsivamente.
Sandra não acorda. E não acorda . E não acorda. A mãe geme baixinho desesperada ao seu lado. Pede à Senhora para chamar uma ambulância. A Senhora não deixa,
- Ponha - se daqui para fora com a miúda, há uma cabine lá em baixo, livre-se de dizer a alguém que eu existo.
A mãe arrasta a Sandra inanimada escada a baixo. Um vizinho, cansado, chama o 112 e a polícia. Sandra acorda no quarto 122 dias depois. As lágrimas cara abaixo. Não poderás ter mais filhos, Sandra, disse-lhe uma médica, emocionada. Sai do hospital de cara tapada, coberta por um lenço. Não sente o ar fresco da manhã. No bolso junto ao útero magoado, a intimação para se apresentar a um tribunal do seu país: Portugal.
Eu voto sim . Pela Sandra e pela Carminho. Pelas suas mães e avós. Por mim.
Rita Ferro Rodrigues

Lar para idosos com bom atendimento...

Um homem levou o seu pai velhinho para um asilo de idosos. Lá chegando, sentou o velhinho num sofá, na sala de espera, e foi à recepção falar com os médicos.
De repente, o velhinho começou a pender vagarosamente para a esquerda. Um médico passou por perto e disse:
- Deixe-me ajudá-lo.
O médico empilhou vários almofadas no lado esquerdo do velhinho para ajudá-lo a manter-se direito.O velhinho começou a pender vagarosamente para a direita. Um funcionário percebeu e empilhou mais umas quantas almofadas no lado direito dele.O velhinho começou a pender para frente.
Então, passou por ali uma enfermeira que empilhou várias almofadas na frente dele.A essa altura, o filho volta:
- E então, pai, este parece um lugar agradável, não?
O velhinho respondeu:
- Penso que sim, filho, mas eles não me deixam aliviar os gases....

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Enganou-se

Um tipo está na fila da caixa no supermercado quando repara numa louraça que lhe faz sinais com a mão e lhe lança um sorriso daqueles. Ele deixa por momentos o carrinho das compras na fila, dirige-se à louraça e diz-lhe suavemente:
-"Desculpe, será que não nos conhecemos?"
Ela responde-lhe, sempre com aquele sorriso:
-"Pode ser que eu esteja enganada, mas penso que o senhor é o pai de uma das minhas crianças ... ."
O tipo põe-se imediatamente a vasculhar na memória e pensa na única vez em que foi infiel à esposa, perguntando de imediato à louraça:
-"Ena pá, c'um caraças, não me diga que você é aquela stripper que eu comi sobre uma mesa de bilhar, diante de todos os meus amigos, numa noite bem bebida, enquanto uma das suas amigas me flagelou o tempo todo com uns nabos molhados e me enfiou um pepino pelo c.. acima?"
-"Bem, não", - responde ela -, "eu sou a nova professora do seu filho!!!"

Mercados Bolsistas

Acompanho desde há anos os mercados bolsistas. Foi desde a 2ª fase de privatização da EDP, naquela hora em que uma empregada do BPI com um ‘je ne sais quoi’ qualquer, me aliciou a descobrir o fantástico mundo da bolsa. Acho que nunca mais fui o mesmo, subitamente pareceu-me ter descoberto um sentido para a vida e desde então, eu que não acompanhava nada, diariamente passei a acompanhar com mais atenção o mercado nacional, onde tenho as minhas modestas posições. Neste momentum, depois de terem andado a dar umas voltas de aquecimento durante muito tempo, há uma série de títulos que se parecem posicionar na grelha de partida… É nestas alturas que dava jeito ter aquilo que é preciso para fazer dinheiro, BES dixit: dinheiro. Todos aqueles ensinamentos remotos dos nossos antepassados, baseados na máxima de que é a trabalhar que se ganha, se faz dinheiro, são hoje menos verídicos que a história do Pai Natal. O mundo todo ele está feito e cada vez mais a ser concebido para quem tem dinheiro e não para quem simplesmente trabalha. E quem tem dinheiro tem incomparavelmente mais probabilidades de ganhar mais dinheiro do que quem tem apenas braços para simplesmente trabalhar. Dou por mim a imaginar uma vida sem poder consumir e entro em depressão. O que interessa cá andar se não se tem dinheiro, se não se tem o que realmente faz falta ? Valerá a pena nascer hoje em dia ? São incomparavelmente maiores as probabilidades de se nascer num país onde não se usa after-shave e não se sabe o que é o Dow Jones. Eu não arriscava.